Com o objetivo de conhecer o trabalho, identificar fragilidades e recomendar medidas para fortalecer a rede de vigilância dos vírus respiratórios no Pará, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde e do Departamento de Epidemiologia, recebeu nesta segunda-feira (10) a visita da equipe de Vigilância de Síndromes Gripais do Ministério da Saúde (MS) e do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Atlanta, Estados Unidos.
Pela manhã, os visitantes participaram de uma apresentação feita pela Sespa, Instituto Evandro Chagas (IEC) e MS, no auditório do Laboratório Central do Estado do Pará (Lacen). À tarde, houve visita técnica às instalações do Lacen e à Unidade de Pronto Atendimento da Sacramenta, uma das Unidades Sentinela de Belém, onde são feitas coletas para análises de vírus respiratórios.
Amostras coletadas na Unidade da Sacramenta e encaminhadas ao LanceFoto: José Pantoja / Ascom SESPAEquipes de Vigilância de Síndromes Respiratórias do MS, dos estados e municípios atuam monitorando as variantes dos vírus causadores de Síndromes Respiratórias circulantes, avaliam o impacto da vacinação contra a doença e acompanham a tendência da morbidade e da mortalidade associadas à doença.
Segundo Walkiria Almeida, assessora técnica da Coordenação-Geral de Vigilância das Doenças Imunopreveníveis, do Ministério da Saúde, o MS firmou uma cooperação técnica com o CDC dos Estados Unidos, e dentro dessa cooperação está justamente o fortalecimento da vigilância sentinela das síndromes gripais. "Antes da pandemia de Covid-19 as vigilâncias sentinelas tinham um olhar muito voltado para Influenza, mas agora o olhar da Organização Mundial da Saúde está voltado para os vírus respiratórios com potencial de surtos, epidemias e pandemias", ressaltou.
Walkiria Almeida, assessora do Ministério da SaúdeFoto: José Pantoja / Ascom SESPAWalkiria Almeida acrescentou que o Pará foi escolhido para essa visita técnica primeiramente por ser na Amazônia. "Não se pode discutir vigilância de síndromes respiratórias de forma geral no Brasil; cada região tem cenários bem diferentes. O Pará foi escolhido pelas dimensões geográficas e pelas peculiaridades climáticas da Amazônia. O CDC se interessou também porque o Pará tem maneiras diferentes de fazer a vigilância, comparado com outras regiões do Brasil", avaliou a assessora técnica.
Para fazer a análise das amostras de pacientes com Síndromes Respiratórias, o material coletado deve ser enviado pelos municípios e chegar em até 72 h ao Lacen, em Belém. As distâncias e dificuldades de logística são grandes desafios para a vigilância no Pará, destacou Daniele Nunes, diretora de Epidemiologia da Sespa.
Foto: José Pantoja / Ascom SESPA"Devido às grandes dimensões do Estado, temos um grande desafio no que diz respeito ao envio das amostras, porque nossa referência laboratorial é o Lacen-PA, que fica em Belém. A nossa proposta é ampliar a rede outras regiões do Estado, para que a gente possa captar mais amostras de pacientes com síndromes respiratórias, justamente para a gente ver quais são os vírus que estão circulando no Estado", informou Daniele Nunes, ressaltando que a equipe da Sespa está aproveitando essa oportunidade para trocar experiências e definir novas estratégias.
Daniele Nunes, diretora de Epidemiologia da SespaFoto: José Pantoja / Ascom SESPAVisitas – À tarde, a comitiva do CDC visitou as instalações do Lacen-PA, para conhecer o fluxo desde a chegada da amostra ao Laboratório, passando pela análise, até a disponibilização do resultado no sistema para o município e o usuário.
Depois, os técnicos seguiram para a UPA da Sacramenta, onde foram recebidos pela diretora da Unidade, Samira Flexa; pela enfermeira Giorlanda Saraiva, responsável técnica das Unidades Sentinelas da Secretaria Municipal de Saúde de Belém, e demais técnicos envolvidos no trabalho de vigilância dos vírus respiratórios na unidade.
Segundo Samira Flexa, a UPA atende cerca de 250 pacientes por dia, sendo 10% com síndrome gripal, permitindo cumprir a meta de envio de 20 amostras por dia para análise de vírus respiratórios.
Foto: José Pantoja / Ascom SESPANo primeiro momento da visita, técnicos falaram sobre o processo de escolha da UPA para ser Unidade Sentinela e repassaram todas as informações sobre o atendimento de pacientes com síndrome gripal, coleta de amostras e envio para análise ao Lacen.
Técnicos do MS e do CDC também fizeram perguntas e tiraram dúvidas sobre o serviço e, em seguida conheceram as instalações da UPA
Texto: Melina Marcelino e Roberta Vilanova - Ascom/Sespa