O estado do Pará contabiliza 713 candidaturas registradas para as Eleições de 2026, um número inferior aos 1.043 postulantes observados no pleito de 2022. Apesar do enxugamento geral de nomes nas chapas, a proporção de mulheres concorrendo a cargos eletivos subiu de 34% para 37%. Além disso, o contingente de candidaturas indígenas cresceu no estado, saltando de três para oito participantes na disputa deste ano. Os dados são do painel oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reúne informações sobre gênero, raça, escolaridade, idade e ocupação das candidatas e candidatos.
Mesmo com o avanço percentual das minorias, a maioria dos nomes nas urnas ainda segue um padrão tradicional. Do total de concorrentes em 2026, 63% são do gênero masculino, 54,84% se declaram pardos e 31,84% são brancos. A formação acadêmica de nível superior completo alcança 56,10% dos inscritos, enquanto 47% são casados. No ranking de ocupações, destacam-se empresários (9,54%), advogados (7,29%), deputados (4,77%) e médicos (4,07%).

Mulheres ganham espaço nas listas mas enfrentam obstáculos no financiamento
A obrigatoriedade de cotas e a reorganização partidária impulsionaram a participação feminina nas nominatas eleitorais. Contudo, a presença nas listas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nem sempre se traduz em ocupação de cadeiras no Poder Legislativo.
"As mulheres agora estão chegando a 37% e são um bom sinalizador. O ideal é que as mulheres, que são a maioria das eleitoras, também tivessem pelo menos 50% de suas candidaturas", diz o Doutor em Ciência Política e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Edir Veiga.
O especialista ressalta que o funil de recursos e de viabilidade eleitoral continua concentrado em grupos com histórico de poder.
"O nosso modelo representativo ainda é muito calcado na hegemonia do homem, empresário, de cor branca e com nível superior", afirma Edir Veiga.
"As mulheres têm de 35% a 40% como candidatas, por exemplo, e são eleitas na Assembleia Legislativa no máximo 15%", aponta o cientista político.
Candidaturas indígenas crescem mas esbarram no voto de opinião
Entre os povos originários, o registro de candidaturas passou de 0,29% (três nomes) em 2022 para 1,12% (oito nomes) em 2026. A lista inclui concorrentes das etnias Tembé, Arapiun, Aruá, Gavião Parkatejê, Kayapó e Mundurukú. O estado também registrou 1% de candidatos pertencentes a comunidades quilombolas e uma candidatura com nome social.
"Devo registrar ainda como muito pequena a presença de candidaturas indígenas aqui na nossa região, que tem uma presença indígena muito significativa, mas já é um bom sinalizador ter crescido de três para oito", destaca Edir Veiga.
A conquista de mandatos por esses grupos esbarra na dinâmica do eleitorado paraense, onde a pauta de representatividade identitária atrai uma parcela restrita de votantes.
"O voto de opinião no Pará ainda é muito pequeno e é dividido entre direita, esquerda e centro, porque quem costuma eleger representação indígena é esse eleitor de opinião", explica o analista.
Disputa estadual serve de plataforma para articulações municipais de 2028
A diminuição no número total de candidatos no Pará também reflete as novas regras eleitorais, como o fim das coligações proporcionais e a exigência de federações partidárias por no mínimo quatro anos. Esse cenário leva muitas lideranças comunitárias, professores e policiais a ajustarem suas estratégias.
"Muitos candidatos a deputado estadual ou federal abrem mão de uma candidatura hoje apostando na aliança para 2028. Ocorre muito acordo com vereadores e líderes de bairros visando ter apoio recíproco", revela Edir Veiga.
Dessa forma, postulantes com menor estrutura financeira atuam frequentemente como puxadores de votos para as legendas, construindo pontes para pleitos futuros.
"Dentro do partido, quem tem mais poder de competição é quem já detém mandato. Quem não detém mandato dificilmente fica entre as candidaturas consideradas prioritárias", conclui o cientista político.
O perfil das candidaturas no Pará (2022 vs 2026)
Volume geral de concorrentes
- 2022: 1.043 candidaturas
- 2026: 713 candidaturas (queda de 31,6%)
Proporção de gênero
- 2022: masculino (66%) | feminino (34%)
- 2026: masculino (63%) | feminino (37%)
Distribuição etnorracial
- Parda: 53,21% (2022) | 54,84% (2026)
- Branca: 31,06% (2022) | 31,84% (2026)
- Preta: 15,15% (2022) | 12,20% (2026)
- Indígena: 0,29% (2022) | 1,12% (2026)
(em 2026, 1% declarou ser Quilombola)
Grau de instrução
- Superior completo: 54,27% (2022) | 56,10% (2026)
- Ensino médio completo: 31,06% (2022) | 25,67% (2026)
- Superior incompleto: 5,75% (2022) | 7,85% (2026)
- Ensino fundamental completo: 4,89% (2022) | 1,96% (2026)
- Ensino fundamental incompleto: 1,82% (2022) | 4,77% (2026)
- Ensino médio incompleto: 1,82% (2022) | 3,51% (2026)
Ocupações principais
2022
- Outros (17,64%)
- Empresário (14,29%)
- Advogado (5,27%)
- Policial militar (4,12%)
- Administrador (4,03%)
2026
- Outros (14,87%)
- Empresário (9,54%)
- Advogado (7,29%)
- Deputado (4,77%)
- Médico (4,07%)
Fonte: Painel de Candidaturas do TSE
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