A Polícia Federal (PF) deflagrou a operação "Retomada" nesta quinta-feira (3), para cumprir mandados de busca e apreensão no Pará e em Mato Grosso, contra um grupo liderado por um homem suspeito de ser o maior devastador do bioma amazônico já investigado.
Segundo a PF, eles estariam envolvidos em um esquema de invasão de terras da União e desmatamento para criação de gado na floresta amazônica.
No total, conforme a corporação, são cumpridos três mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal nos municípios de Novo Progresso, no sudoeste do Pará, e Sinop, no Mato Grosso.
A Justiça também determinou o bloqueio de R$116 milhões de reais, valor mínimo estimado dos recursos florestais extraídos e de recuperação da área atingida, além do sequestro de veículos, de 16 fazendas e imóveis, e da indisponibilidade de 10 mil cabeças de gado.
"As investigações tiveram início após a identificação, pela PF em Santarém, no Pará, do desmatamento de quase 6 mil hectares na região do município de Novo Progresso. O inquérito policial aponta que o grupo criminoso realizaria o cadastro fraudulento junto ao Cadastro Ambiental Rural de áreas próximas as suas em nome de terceiros, principalmente de parentes próximos. Em seguida, desmatariam tais áreas e as destinariam para criação de gado", detalhou a PF.
Assim, os verdadeiros responsáveis pela exploração das atividades se sentiriam protegidos contra eventuais processos criminais ou administrativos, os quais seriam direcionados aos participantes sem patrimônio.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/4/6/1P9SkTSe24avfAifLwVw/whatsapp-image-2023-08-03-at-09.44.05.jpeg)
Cabeças de gado em uma das propriedades investigadas. — Foto: Ascom PF-PA
Até o momento, o inquérito policial identificou que o suspeito e seu grupo teriam se apossado de mais de 21 mil hectares de terras da União.
Além disso, de acordo com a PF, já foram constatados o desmatamento de mais de 6.500 hectares de floresta, o equivalente à quase quatro ilhas de Fernando de Noronha, com indícios de um único autor ser o responsável pela destruição ambiental, com emprego de um enorme aporte de recursos.
"Os danos ambientais são agravados pela ocupação de áreas circundantes a terras indígenas e unidades de conservação", pontuou a polícia.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/k/Z/tqARkjRYGYy6AeYc0wRA/whatsapp-image-2023-08-03-at-09.43.43.jpeg)
Documentos coletados durante a operação. — Foto: Ascom PF-PA
Segundo a PF, o suspeito líder do grupo já recebeu 11 autuações e seis embargos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) por irregularidades. Perícias indicaram a existência de danos ambientais ocasionados por suas atividades também na Terra Indígena Baú.
A corporação comunicou que as investigações seguem em andamento.
Publicado por: G1-PA
Comentários: