Itaituba (PA) - Um sargento da Polícia Militar identificado como Elíezio Mesquita de Sena, foi morto com golpe de faca na noite desta segunda-feira (2 de novembro de 2026), na 11ª Rua do bairro Floresta, em Itaituba, no sudoeste do Pará.
A vítima foi o 3º sargento Eliezil, militar lotado no 15º Batalhão da Polícia Militar (15º BPM). Ele foi atingido por um golpe de faca e não resistiu ao ferimento.
De acordo com as primeiras informações, o principal suspeito do homicídio é um homem conhecido pelo apelido de “Beto Borracheiro”, que fugiu após o crime e está sendo procurado pelas autoridades policiais.
A morte do 3º sargento Eliézio, do 15º Batalhão da Polícia Militar (15º BPM), na noite desta segunda-feira, 2 de novembro de 2026, expôs mais uma vez o colapso no sistema de perícia criminal no sudoeste do Pará.
O policial militar foi morto a facada na 11ª Rua do bairro Floresta. Equipes da Polícia Militar intensificaram as buscas pelo suspeito do homicídio, mas o trabalho de investigação foi prejudicado logo nas primeiras horas.
Segundo informações apuradas pela equipe do jornalista do blog Júnior Ribeiro, não havia nenhum perito criminal de plantão no Núcleo Avançado de Itaituba do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. Desde o dia 1º de novembro, a escala previa a presença de um profissional de sobreaviso, mas o posto estava descoberto.
Sem perito para realizar a perícia de local de crime - procedimento fundamental para coleta de vestígios, impressões digitais, material biológico e a dinâmica do assassinato - o corpo do sargento precisou ser removido pelo Instituto Médico Legal (IML) sem os procedimentos periciais de praxe.
A situação provocou revolta nos familiares. O senhor Antônio Oliveira Sena, pai do policial, acionou a imprensa e denunciou a demora de aproximadamente duas horas apenas para a remoção do corpo. A espera, segundo ele, ocorreu justamente pela ausência do perito criminal.
A reportagem apurou que está prevista para esta terça-feira, 3 de novembro, a chegada de um perito vindo do município de Santarém, a mais de 400 km de distância, para suprir a demanda de Itaituba.
Falta de perito é problema crônico em Itaituba
A ausência de peritos no Núcleo Avançado de Itaituba não é um caso isolado. O Centro de Perícias Científicas Renato Chaves - Núcleo de Itaituba é responsável pelo atendimento de pelo menos seis municípios da região do Tapajós: Itaituba, Jacareacanga, Trairão, Rurópolis, Aveiro e Novo Progresso - uma área que soma mais de 170 mil habitantes e é marcada por conflitos agrários, garimpo ilegal e alto índice de violência.
Há anos, entidades de classe, OAB-PA e o Ministério Público denunciam a falta de estrutura. O déficit atinge duas frentes:
1. Perito Criminal: Responsável pela perícia no local do crime. Sem ele, crimes como homicídio perdem provas técnicas essenciais, o que pode dificultar a elucidação e enfraquecer o processo judicial. Muitas vezes, quando não há profissional em Itaituba, a cena do crime fica exposta ou é liberada apenas com fotos feitas pela Polícia Civil.
2. Perito Médico Legista: Responsável por necropsias e exames de corpo de delito no IML. Quando falta esse profissional, corpos ficam acumulados na câmara fria e famílias precisam esperar dias para liberação para velório.
O Pará realizou concurso em 2019 para 95 vagas para o CPC Renato Chaves, mas o número de aprovados e lotados no interior não supriu a carência. Atualmente, Itaituba opera com escala mínima, dependendo de peritos deslocados de Santarém ou Altamira para cobrir folgas, férias e licenças.
Até o fechamento desta matéria, o Centro de Perícias Científicas Renato Chaves ainda não se manifestou oficialmente sobre a falta de plantão no caso do sargento Eliézio.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que deve solicitar perícia complementar de forma indireta, com base em laudo cadavérico e imagens do local.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se